Neymar e o País do Futuro

O clichê do Brasil como país do futuro já está tão gasto que pouquíssimas pessoas ainda acreditam nele.  Até políticos de paróquia não o usam mais nem em jingle de campanha.

Quando este futuro, no início da década, parecia ter chegado – o país crescia, gerava empregos, a classe média aumentava- a tempestade perfeita colheu o país em recessão, crise política, corrupção e desemprego.

O melhor jogador brasileiro surgido nos últimos anos parece ter um destino parecido.

Desde que surgiu no Santos até a contratação milionária pelo PSG o destino fora traçado, como na música do Poeta:

– Neymar será o melhor jogador do mundo.

A mídia, os assessores, os parças e os companheiros eram unânimes: a idade fatalmente chegaria para Cristiano Ronaldo e Messi e daí em diante só daria Neymar.

O “título” de melhor do mundo era uma questão de tempo.

O ano de 2018 parecia ser o “do título”, os sheiks do PSG não pouparam esforços, e principalmente euros, para montar um time capaz de vencer a Champions League. A Seleção chegaria a Copa da Russia como franca favorita e com os rivais em crise.

No PSG e na Selação o mesmo protagonista: Neymar.

O semestre que credenciaria Neymar ao tão sonhado prêmio terminou com contusão, eliminações precoces na Champions League e na Copa, briga com companheiros de clube, ausência na lista dos indicados da FIFA a melhor do mundo e… memes.

Enquanto Cristiano Ronaldo afirma que é o melhor do mundo mesmo quando não vence a Bola de Ouro, e o Messi não fala nada nem quando vence, Neymar conjuga o verbo no futuro do presente:

– Serei o melhor do mundo.

E o futuro, tal qual o do Brasil de 2018, parece mais distante.

Jogando num clube francês, com a revelação da Copa e campeão  francês e com apenas 19 anos, parece óbvio quem será o preferido da torcida do PSG na próxima temporada.

Tal qual o país, Neymar precisa reencontra o rumo – em campo – os parças, a namorada Global, e os imbróglios fiscais são questões menores. O campo, e só o campo de futebol, onde Camus aprendeu tudo na vida sobre moral, vão fazer Neymar conjugar o verbo no presente:

– eu sou o melhor do mundo.

Quanto o Brasil, há uma nova chance em outubro, mas ao contrário do futebol, na política, nem sempre depois de um domingo ruim vem a quarta gloriosa

Oxalá, o segundo semestre deixe o futuro pra trás: do Neymar e do Brasil e nos tragam um presente melhor.

Basta de viúvas porcinas, aquelas que foram sem nunca ter sido, no futebol e no país.